Anarquia
31-12-2025

Definição
A palavra Anarquia deriva do termo “an arquia” que significa a ausência de um governo. Assim, Anarquia sugere o desaparecimento da autoridade do Estado e todo o tipo de coação sobre o indivíduo e o Estado e estruturas semelhantes devem dar lugar à livre associação de pessoas.
Para esta doutrina política, o objetivo principal da dignidade humana é a liberdade e, como tal, nenhum homem deve mandar noutro homem, visto que cada indivíduo deve agir segundo as suas convicções sem qualquer tipo de imposição.
Este conceito também possui uma vertente internacional, em que se assume como uma característica definidora da política internacional e das relações internacionais, onde não existe um poder soberano superior que regule as entidades do sistema.
De tal modo, entendem-se as relações internacionais como anárquicas, dada a inexistência de um governo mundial comum que governe o sistema internacional. Algo que deriva da dificuldade de existir um poder centralizado que governe as relações internacionais.
Podemos então entender a Anarquia como a inexistência de um centro regulador de poder hierárquico, com capacidade de definir e impor normas e condutas que constranjam as unidades do sistema internacional.v
Origem e Evolução
A inspiração teórica da Anarquia provém do autor inglês William Godwin no final do século XVIII, sendo posteriormente aprofundado e desenvolvido por Pierre Joseph Proudhon no início do século XIX e Mikhail Bakounine em finais do mesmo século.
No entanto, as primeiras manifestações da Anarquia “moderna” surgiram com a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, associadas sempre ao caos, à desordem e à recusa de autoridades e lei, defendendo um regime comunitário que censura a propriedade privada.
A Anarquia, enquanto doutrina política, ganhou importância na segunda metade do século XIX na Europa ao substituir as doutrinas revolucionárias que defendiam a importância do Estado nas mudanças sociais e económicas.
Nos anos 60 do século XX, o pressuposto da Anarquia renovou-se ao tornar-se mais moderada na contestação antiautoritária, ou seja, na rejeição do Estado, das leis e dos Governos e focou-se principalmente nos objetivos de rejeitar ideologias sociais, burocracia e a própria sociedade de consumo.
Também no final do século XX e início do século XXI, a anarquia em termos internacionais baseia-se num sistema de alianças onde uns estados são mais fortes que outros, refletindo sempre o dinamismo da ordem internacional nas diferentes épocas, dada a inexistência de um poder central.
Tipos de anarquia:
A anarquia manifesta-se de diferentes formas:
- Anarquismo individualista – afirma a liberdade do indivíduo com o objetivo da realização completa do Eu, numa sociedade não organizada e independente de qualquer componente superior e, por sua vez, autoritária.
- Anarquismo comunista – uma visão posterior da individualidade, onde cada indivíduo sacrifica a parte da liberdade económica pela vantagem da liberdade social, em prol do benefício comum da sociedade.
- Anarquismo coletivista – o indivíduo desenvolve-se dentro de uma sociedade, mas retira os benefícios para seu próprio usufruto.
Importância e desafios
A Anarquia, até hoje, não teve qualquer sucesso, derivado da sua verdadeira essência rebelde, utópica e de extremismo revolucionário que impediria o restauro da sociedade como a conhecemos.
É, por isso, uma doutrina que tem atualmente pouca importância nas sociedades mais evoluídas, em que os poderes como Estados/Governos/Organizações Internacionais já estão solidificados e só consegue unir aqueles que lutam contra as formas autoritárias do mundo moderno que detêm o poder.
