Anarquia

A inspiração teórica da Anarquia provém do autor inglês William Godwin no final do século XVIII, sendo posteriormente aprofundado e desenvolvido por Pierre Joseph Proudhon no início do século XIX e Mikhail Bakounine em finais do mesmo século.

No entanto, as primeiras manifestações da Anarquia “moderna” surgiram com a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, associadas sempre ao caos, à desordem e à recusa de autoridades e lei, defendendo um regime comunitário que censura a propriedade privada.

A Anarquia, enquanto doutrina política, ganhou importância na segunda metade do século XIX na Europa ao substituir as doutrinas revolucionárias que defendiam a importância do Estado nas mudanças sociais e económicas.

Nos anos 60 do século XX, o pressuposto da Anarquia renovou-se ao tornar-se mais moderada na contestação antiautoritária, ou seja, na rejeição do Estado, das leis e dos Governos e focou-se principalmente nos objetivos de rejeitar ideologias sociais, burocracia e a própria sociedade de consumo.

Também no final do século XX e início do século XXI, a anarquia em termos internacionais baseia-se num sistema de alianças onde uns estados são mais fortes que outros, refletindo sempre o dinamismo da ordem internacional nas diferentes épocas, dada a inexistência de um poder central.

A anarquia manifesta-se de diferentes formas:

  • Anarquismo individualista – afirma a liberdade do indivíduo com o objetivo da realização completa do Eu, numa sociedade não organizada e independente de qualquer componente superior e, por sua vez, autoritária.
  • Anarquismo comunista – uma visão posterior da individualidade, onde cada indivíduo sacrifica a parte da liberdade económica pela vantagem da liberdade social, em prol do benefício comum da sociedade.
  • Anarquismo coletivista – o indivíduo desenvolve-se dentro de uma sociedade, mas retira os benefícios para seu próprio usufruto.

A Anarquia, até hoje, não teve qualquer sucesso, derivado da sua verdadeira essência rebelde, utópica e de extremismo revolucionário que impediria o restauro da sociedade como a conhecemos.

É, por isso, uma doutrina que tem atualmente pouca importância nas sociedades mais evoluídas, em que os poderes como Estados/Governos/Organizações Internacionais já estão solidificados e só consegue unir aqueles que lutam contra as formas autoritárias do mundo moderno que detêm o poder.