Desinformação
16-08-2026

Definição
Não existe um consenso generalizado em relação à definição do conceito de desinformação, mas talvez a mais aceite seja a da própria Comissão Europeia, que entende a desinformação como informação comprovadamente falsa ou enganadora que é criada, apresentada e divulgada para obter vantagens económicas ou para enganar deliberadamente o público, e que é suscetível de causar um prejuízo público.
Especialistas que se dedicaram ao estudo deste fenómeno, afirmam que a desinformação já é uma estratégia indispensável nos discursos dos políticos populistas, tendo em conta que forças políticas populistas têm constantemente recorrido a um estilo de comunicação que distorce a realidade, e a partir daí procuram obter legitimidade popular para promover as políticas pouco consensuais.
Outra definição possível entende a desinformação como uma forma de difusão deliberada de informações falsas com o objetivo de manipular e causar indignação de modo que consiga mobilizar potenciais eleitores.
Contextualização
São reconhecidas várias causas para o surgimento da desinformação, como a sociedade em constante mudança derivada de crises políticas, económicas e sociais, a mudança da forma de trabalhar da comunicação social e, principalmente, o uso alargado por toda a população de redes sociais, onde se pode propagar desinformação facilmente e a grande velocidade e que desempenham um papel central na era da desinformação.
Esta era teve o seu grande advento nas eleições presidenciais norte-americanas em 2016, quando as suspeitas de interferência russa levaram à eleição de Donald Trump. E confirmou-se que esta era vinha para ficar com o referendo do Brexit, que levou à saída do Reino Unido da União Europeia, a eleição no Brasil, em 2018, de Jair Bolsonaro para PR e a eleição em 2019 do conservador Boris Johnson para PM inglês. E para além disso, em toda a Europa deu-se o crescimento de partidos de extrema-direita nas eleições nacionais, como a AfD na Alemanha e o Lega Nord em Itália, tal como a crescente popularidade dos partidos de extrema-direita e de direita radical populista europeus.
A Covid-19 foi o evento que mais força deu a este fenómeno e à propagação do uso do conceito de desinformação, devido à disseminação de fake news nas redes sociais e nos meios de comunicação social, aproveitadas em grande parte pelos partidos de extrema-direita para difundir informações falsas
Estratégia
A desinformação é um instrumento de influência poderoso, pouco dispendioso, economicamente rentável e bastante vulgarizada atualmente, tal não é a ampla utilização da desinformação por parte dos políticas populistas, principalmente nas suas páginas nas redes sociais e em discursos transmitidos em comícios ou na própria Assembleia da República.
Esta estratégia consegue materializar a desconfiança existente das populações nas instituições democráticas e nos meios de comunicação social mais tradicionais. Difundindo um discurso por vezes verbalizado com raiva, ódio e maior intensidade que todos os seus adversários, os políticos populistas procuram captar a atenção de todos, especialmente aqueles que não têm propensão para verificar se o que estão a ler ou ouvir é verdadeiro ou falso/manipulado.
Outra das intenções é atacar claramente as elites políticas e económicas, os mais privilegiados e as instituições democráticas de modo a estratificar e dividir a população em setores, o designado “Nós vs Eles”, tentando polarizar por completo o debate democrático e civilizado típico de uma democracia. O objetivo passa por modificar a forma como a democracia está organizada atualmente, afastando a população dos governos nacionais e das instituições europeias, criando o sentimento eurocético.
Combate à desinformação
Uma vez que vivemos numa década em que eventos como a pandemia e guerras se têm vindo a suceder, os desafios de combate à desinformação têm vindo a ficar cada vez mais complexos, muito devido às ferramentas de quem pretende espalhar a discórdia e instalar a dúvida serem muito mais avançados e sofisticados.
Como por exemplo, as ferramentas de Inteligência Artificial que têm impulsionado a difusão de desinformação, com a produção de conteúdo falso, com falta de contexto, satírico e principalmente manipulado, adulterando por completo a perceção do que é verídico ou não.
Desde a pandemia que o combate à desinformação tem sido mais alargado pelos órgãos europeus, lançando cada vez mais mecanismos e canais de comunicação na internet e nas redes sociais para difundir informações corretas e verificadas, as chamadas ferramentas de fact checking, para que tudo o que seja comunicado em espaço europeu seja verificado.
Para além disso, têm sido desenvolvidos esforços para combater as tentativas de interferência externa, nomeadamente o reforço da cibersegurança europeia, de modo a que se consigam travar todas as ameaças vindas do exterior da UE.
Todo este trabalho é desenvolvido tendo por base a formulação de leis que protejam mais a segurança digital dos cidadãos europeus, de task forces especializadas que trabalham em conjunto para defender mais eficazmente o espaço digital europeu e também comités para discutir e elaborar propostas de combate à desinformação.
Mas tal como a base da democracia reside no povo, também o combate à desinformação começa em nós. Devemos fomentar a nossa formação sobre como lidar com a desinformação, para que tenhamos uma maior capacidade de distinguir conteúdos verdadeiros de conteúdos falsos que nos aparecem diariamente diante dos nossos olhos. Só o trabalho conjunto entre cidadãos e instituições democráticas, irá fomentar a união e a harmonia no combate a um dos maiores perigos da atualidade: a desinformação.
