Desinformação

Estratégia

A desinformação é um instrumento de influência poderoso, pouco dispendioso, economicamente rentável e bastante vulgarizada atualmente, tal não é a ampla utilização da desinformação por parte dos políticas populistas, principalmente nas suas páginas nas redes sociais e em discursos transmitidos em comícios ou na própria Assembleia da República.

Esta estratégia consegue materializar a desconfiança existente das populações nas instituições democráticas e nos meios de comunicação social mais tradicionais. Difundindo um discurso por vezes verbalizado com raiva, ódio e maior intensidade que todos os seus adversários, os políticos populistas procuram captar a atenção de todos, especialmente aqueles que não têm propensão para verificar se o que estão a ler ou ouvir é verdadeiro ou falso/manipulado.

Outra das intenções é atacar claramente as elites políticas e económicas, os mais privilegiados e as instituições democráticas de modo a estratificar e dividir a população em setores, o designado “Nós vs Eles”, tentando polarizar por completo o debate democrático e civilizado típico de uma democracia. O objetivo passa por modificar a forma como a democracia está organizada atualmente, afastando a população dos governos nacionais e das instituições europeias, criando o sentimento eurocético.

Combate à desinformação

Uma vez que vivemos numa década em que eventos como a pandemia e guerras se têm vindo a suceder, os desafios de combate à desinformação têm vindo a ficar cada vez mais complexos, muito devido às ferramentas de quem pretende espalhar a discórdia e instalar a dúvida serem muito mais avançados e sofisticados.

Como por exemplo, as ferramentas de Inteligência Artificial que têm impulsionado a difusão de desinformação, com a produção de conteúdo falso, com falta de contexto, satírico e principalmente manipulado, adulterando por completo a perceção do que é verídico ou não.

Desde a pandemia que o combate à desinformação tem sido mais alargado pelos órgãos europeus, lançando cada vez mais mecanismos e canais de comunicação na internet e nas redes sociais para difundir informações corretas e verificadas, as chamadas ferramentas de fact checking, para que tudo o que seja comunicado em espaço europeu seja verificado.

Para além disso, têm sido desenvolvidos esforços para combater as tentativas de interferência externa, nomeadamente o reforço da cibersegurança europeia, de modo a que se consigam travar todas as ameaças vindas do exterior da UE.

Todo este trabalho é desenvolvido tendo por base a formulação de leis que protejam mais a segurança digital dos cidadãos europeus, de task forces especializadas que trabalham em conjunto para defender mais eficazmente o espaço digital europeu e também comités para discutir e elaborar propostas de combate à desinformação.

Mas tal como a base da democracia reside no povo, também o combate à desinformação começa em nós. Devemos fomentar a nossa formação sobre como lidar com a desinformação, para que tenhamos uma maior capacidade de distinguir conteúdos verdadeiros de conteúdos falsos que nos aparecem diariamente diante dos nossos olhos. Só o trabalho conjunto entre cidadãos e instituições democráticas, irá fomentar a união e a harmonia no combate a um dos maiores perigos da atualidade: a desinformação.