Guerra Híbrida
10-11-2025

Definição
A Guerra Híbrida é uma estratégia militar que combina métodos convencionais e não convencionais para alcançar objetivos políticos ou militares. Ao contrário da guerra tradicional, que se baseia em forças armadas regulares, a guerra híbrida recorre a um leque diversificado de táticas: desde o fomento de insurgências, revoltas e terrorismo até à utilização de migrações forçadas, controlo de recursos naturais e operações cibernéticas (TIC). Inclui ainda estratégias de influência, como a desinformação, a manipulação diplomática e a interferência em processos eleitorais estrangeiros.
Este tipo de conflito tem ganho relevância no panorama internacional devido à sua eficácia em desestabilizar adversários. Ao minar a coesão social e as instituições de um Estado, a guerra híbrida torna-o mais vulnerável e propenso a ceder a pressões externas ou internas.
Contudo, o conceito de guerra híbrida ainda é alvo de debate. Por ser relativamente recente, não existe uma definição consensual, o que leva alguns críticos a considerá-lo um “termo guarda-chuva”. Essa falta de precisão permite que seja aplicado a uma vasta gama de conflitos onde a guerra convencional não é a única forma de confrontação.
Exemplos Históricos
Embora o termo “guerra híbrida” seja relativamente recente, a combinação de métodos convencionais e não convencionais em conflitos já é praticada há séculos. Esta abordagem, que integra táticas militares tradicionais com ações irregulares, psicológicas e de influência, tem sido utilizada ao longo da história em diversos contextos.
Um dos primeiros exemplos é a Revolução Americana (1775–1783), onde as forças coloniais, apoiadas por milícias civis e táticas de guerrilha, enfrentaram o exército britânico. Nas Invasões Napoleónicas, as tropas britânicas, especialmente na Península Ibérica, contaram com o apoio de guerrilhas locais para combater as forças francesas.
Durante a Guerra Franco-Prussiana (1870–1871), o exército prussiano recorreu a uma mistura de táticas convencionais e não convencionais para derrotar a França. Na Segunda Guerra Mundial, a União Soviética utilizou pressão diplomática e estratégias indiretas para anexar a República de Tuva, que acabaria por se integrar no território soviético.
Na Guerra do Vietname, tanto os Estados Unidos como o Vietname do Norte adotaram táticas híbridas: a CIA apoiou grupos étnicos locais para promover os seus interesses, enquanto a União Soviética e a China apoiavam as milícias Vietcong.
Ao longo dos séculos XX e XXI, as intervenções dos Estados Unidos na América Latina também refletem o uso de guerra híbrida, através de ações como o apoio a golpes de Estado, a desestabilização económica e operações psicológicas.
Exemplos Modernos
Entre os casos mais recentes e significativos de guerra híbrida, destaca-se a Guerra Civil Síria (a partir de 2011), que ultrapassou o âmbito do conflito armado convencional. Este conflito envolveu desestabilização política, apoio a grupos rebeldes, intervenções externas e uma campanha sistemática de desinformação. Embora o objetivo inicial fosse a queda do regime de Bashar al-Assad, o resultado foi o prolongamento do conflito e uma das maiores crises humanitárias da atualidade, com repercussões globais.
Outro exemplo notável foi a Guerra entre Israel e Hezbollah (2006), na qual o Hezbollah, uma organização não estatal, utilizou células descentralizadas, compostas por guerrilhas e tropas equipadas com armamento sofisticado, geralmente acessível apenas a Estados soberanos. Além disso, o grupo empregou táticas de comunicação de massa, disseminando imagens e vídeos com forte impacto emocional. Apesar da vitória militar de Israel, a perceção pública internacional tendeu a favorecer o Hezbollah, evidenciando o sucesso da sua estratégia de influência mediática.
Num desenvolvimento mais recente, no contexto da guerra entre Israel e Hamas, Israel executou um ataque cibernético e físico contra o Hezbollah, que havia demonstrado apoio militar ao Hamas. O ataque consistiu na infiltração de explosivos em pagers, dispositivos amplamente utilizados para comunicação interna do grupo, resultando na neutralização de vários membros de alto escalão. Este episódio demonstra como a tecnologia pode ser utilizada como arma em conflitos assimétricos, ampliando o leque de estratégias disponíveis.
Por fim, a Guerra Russo-Ucraniana (a partir de 2014) representa, provavelmente, o exemplo mais discutido e complexo de guerra híbrida. A Rússia combinou operações militares convencionais com ciberataques, campanhas de desinformação, apoio a grupos separatistas e manipulação política. Estas táticas têm sido fundamentais na sua estratégia, revelando-se extremamente eficazes tanto no campo de batalha como no domínio da influência global.
